.ღ Saudade lembrada, saudade sentida, saudade hoje e para o resto da vida...saudade eterna! ღ

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ღ NO MOMENTO AS HOMENAGENS ESTÂO SUSPENSAS! Abraços fraternos!

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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Ilustre Visita



Ilustre Visita

Trecho do livro Todos os Animais merecem o Céu
Marcel Benedeti


No rancho, Gustavo tomava as providências para receber a ilustre visita
daquele elevado espírito que, sem dúvida, seria um estímulo aos voluntários.
Pediu a todos os trabalhadores que mentalizassem por alguns instantes uma
energia tão forte quanto a energia solar, para que nenhum resquício de energia
mais pesada pudesse prejudicar a estada do convidado.
A guarda foi redobrada nos limites do rancho, pois a aproximação de
caçadores poderia comprometer e pôr a perder todo o trabalho de higienização
e proteção ambiental.
Faltavam somente alguns minutos para a última aula que seria a de
encerramento de ciclo. Gustavo prepara o palanque nos jardins do rancho,
onde se podia ouvir o som de água correndo por fontes belíssimas que
enfeitavam aquela beleza arquitetônica que era aquele jardim. O lago era
cristalino, as flores não se igualavam a qualquer uma conhecida na Terra.
Verificou a cúpula onde deveria permanecer a ilustre figura durante sua estada,
para se proteger das energias do ambiente, que eram por demais concentradas
para seu corpo sutilíssimo.
Verificou todos os itens, mas nada notou de anormal. Mesmo assim,
acionou as luzes violetas higienizadoras por garantia. Aquela luz fazia uma
espécie de varredura luminosa no ambiente, fazendo passar feixes de luz ao
longo de todo o local à maneira de um ‘scanner’, tornando a atmosfera ainda
mais agradável.
Completando o clima, entre as flores muito bem distribuí das pelo jardim,
havia rosas de cores diversas e outras flores lindíssimas com perfumes suaves
que tomavam todo o ambiente. Faltavam menos de trinta minutos e todos
estavam à espera da última aula, inclusive Guilherme que chegou cedo.
Também os professores e colaboradores lá estavam. Além deles, muitos animais ansiosos, aguardavam a chegada do visitante. Havia animais de todos os
tamanhos, espécies e raças, inclusive os aquáticos, dentro do lago cristalino...

... O senhor Gustavo já estava acionando as luzes especiais e a cúpula de
proteção, quando aproxima-se uma pessoa que representa o palestrante e pede
que não acione nenhum dos dois sistemas, pois não seria necessário.
Ele explica que o palestrante, em uma demonstração de humildade,
condensará suas energias para se tornar visível a todos e não permanecerá sob a
cúpula para não constranger aos espectadores.

Uma cortina que estava estendida por trás do senhor Gustavo escondia os
bastidores do palanque, mas enquanto Gustavo falava puderam notar uma luz
que surgiu intensa por alguns segundos e se refletia no tecido da cortina.
Novamente surge outra pessoa e se dirige ao senhor Gustavo. Era um homem
franzino, de baixa estatura, braços finos assim como suas feições, e usava uma
túnica idêntica à dos trabalhadores do rancho. Deveria ser um dos
trabalhadores da instituição que trabalhava nos preparativos da palestra e que
deveria estar dando algum recado sem importância, pensaram todos, com
exceção de Gustavo, João Rubens e outros que já o conheciam. As pessoas
impacientes tentavam olhar por detrás da cortina, ansiosos pela chegada, mas
não perceberam que era o palestrante que acabava de chegar e com sua grande
humildade não queria se diferenciar dos demais trabalhadores de quem se
considerava um mero colaborador.
O senhor Gustavo anuncia sua chegada:

— Senhoras e senhores, apresento-lhes o palestrante de hoje, que nos faz
esta visita especial de encerramento de ciclo.
Neste momento as pessoas bateram palmas mecanicamente, olhando para
o palanque e ainda por trás da cortina à espera do visitante. Aquele homem
franzino aproximou-se da borda do palanque e faz uma reverência aos
espectadores. Todos olharam um para o outro se perguntando: — Será ele?
Esperavam por alguém que causasse mais impacto com sua presença,
alguém que causasse comoção ao simples olhar. Aquele era comum, sem
aqueles aparatos que normalmente as pessoas esperam de um espírito elevado.
Muitos não entenderam a dificuldade que havia para um espírito de tão elevada
categoria e sutileza adensar seu corpo para se tornar visível e apresentar-se sem a
proteção da cúpula, que o abrigaria das energias emanadas pelos ouvintes, e não
se deram conta de quão humilde era aquele que vinha ao encontro deles como
um igual.
Aquele homem de baixa estatura e compleição delicada parou diante dos
ouvintes, juntou os dedos das mãos e cumprimentou a todos com uma voz tão
suave que parecia irreal. Assemelhava-se a um pensamento que brotava na
mente das pessoas que o ouviam. Então todos sorriram surpresos, pois não
havia dúvidas de que não era um simples trabalhador da casa, mas aquele que
todos esperavam.
Cumprimentou a todos, inclusive os animais e as plantas, o lago, o céu, o
vento e o Sol. Agradeceu a Deus a oportunidade de poder estar ali, diante
daquelas pessoas que tinham as mesmas preocupações que ele tinha quando
viveu na Terra. Ele que via todos os seres do mundo como irmãos que merecem
tanto de Deus quanto nós, pois somos realmente irmãos.
Iniciou sua palestra a respeito da vida plena em que estaremos um dia
quando reconhecermos os direitos à vida que têm os nossos irmãos animais,
nossas irmãs plantas, e acima de tudo nossa grande irmã Terra que sofre com a
nossa ação depredatória. A Terra que contém a vida em todo o seu potencial, e que cada coisa nela contida é um irmão ou uma irmã. Ressaltou a dádiva que é
poder viver na Terra e ter contato com todos esses irmãos e poder trocar
energias com todos eles. Agradeceu a chance de ter vivido na Terra e ter tido a
oportunidade de conhecer a água, o céu, a lua, o Sol, o vento, os rios, os peixes,
e todos os animais e plantas, e todos os seres da floresta, os elementais, o fogo,
o chão, as pedras, a chuva, as pessoas, enfim todos. Agradeceu a Deus por
poder ter sido útil a Ele e ter podido amar a todos os seres criados por Ele
igualmente.
A palestra era tão tocante que não se via uma pessoa sem lágrimas nos
olhos ao ouvir aquelas palavras que iam direto ao coração. Pediu a todos que
nunca se vissem como inimigos, mas como irmãos e que procurassem sempre o
amor antes de tudo, e encerrou com uma linda prece.

Louvado seja Deus na Natureza, mãe gloriosa e bela da beleza e
com todas as suas criaturas.
Pelo irmão Sol, o mais bondoso, o verdadeiro, o belo, que
ilumina criando a pura glória. A luz do dia!
Louvado seja Deus pelas irmãs estrelas, belas, claras irmãs
silenciosas e luminosas, suspensas no ar.
Pela irmã Lua que derrama o luar.
Louvado seja pela irmã nuvem que há de nos dar a fina chuva
que consola.
Pelo céu azul e pela tempestade, pelo irmão vento, que rebrama
e rola.
Louvado pela preciosa e bondosa água, irmã útil e bela, que
brota humilde e casta e se oferece a todo o que apetece o gosto dela.
Louvado seja pela maravilha que rebrilha no lume o irmão
ardente, tão forte que amanhece a noite escura e tão amável que
alumia a gente.
Louvado seja pelos seus amores.
Pela irmã Madre Terra e seus primores, que nos ampara e oferta
seus produtos, árvores, frutos, ervas, pão e flores.
Louvado seja pelos que passaram por tormentos do mundo
doloroso e, contentes, sorrindo, perdoaram.
Pela alegria dos que trabalham.
Pela morte serena dos bondosos.
Louvado seja Deus na mãe querida, a Natureza, que fez bela e
forte.
Louvado seja Deus pela vida.
Louvados seja Deus pela morte.

No momento em que proferia a prece, do alto caíam finas gotículas que
perfumavam o ambiente e pequenos flocos que flutuavam suavemente sobre os
presentes e, ao tocá-los brilhavam como se enorme quantidade de energia se
desprendesse daqueles corpúsculos mínimos, atingindo a todos.
Ao despedir-se, saiu tão humildemente como quando entrou. Alguns iam
bater palmas, mas ele pediu que não o fizessem, mas que meditassem sobre o
que foi dito. Dizendo essas últimas palavras, baixou a cabeça, fez uma
reverência e afastou-se para trás da cortina sem dar as costas aos ouvintes.
Viu-se novamente, no local, um enorme clarão que súbito desapareceu.
O senhor Gustavo, comovido com as palavras do orador e ainda com os
olhos úmidos, deu por encerrado o ciclo de aulas...

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Nosso pedacinho do céu...