.ღ Saudade lembrada, saudade sentida, saudade hoje e para o resto da vida...saudade eterna! ღ

.ღ Saudade lembrada, saudade sentida, saudade hoje e para o resto da vida...saudade eterna! ღ

.

.

ღ NO MOMENTO AS HOMENAGENS ESTÂO SUSPENSAS! Abraços fraternos!

ღ NO MOMENTO AS HOMENAGENS ESTÂO SUSPENSAS!  Abraços fraternos!
As homenagens são publicadas conforme a disponibilidade de tempo. Se ela chegar sem foto e mensagem não poderei publicar. As homenagens são publicadas conforme a ordem de chegada no e-mail.

.

.

ღ NO MOMENTO AS HOMENAGENS ESTÂO SUSPENSAS! ABRAÇOS FRATERNOS!

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

JUCA – O vira-latas casamenteiro!


Conheça a emocionante história do cachorrinho Juca que se apaixonou pela noiva e quase não aguentou de tanta emoção na hora do SIM!
 Uma história linda escrita pelo Dr. Renato, sobre o dia em que se casou com a Dr. Carol e perdeu o primeiro beijo da noiva para o Juca, o cachorrinho apaixonado!


Eu me apaixonei por uma mulher linda, veterinária como eu, que tinha sete vira-latas. 
À medida que a fui conhecendo melhor pude perceber que ela tinha predileção por um deles, o Juca. 
Uma figuraça! Baixinho, gorducho, tão feio que fica bonito e cheio de problemas de saúde. Ele é a exceção àquela regra que diz que “os vira-latas são mais resistentes que os cães de raça, não têm tantas doenças”. Juca teve e tem de tudo. Ainda bem que temos muitos amigos veterinários competentes e solidários que nos ajudam a mantê-lo vivo e com qualidade de vida.


Apesar de todos os esforços, cuidados e medicações, esta semana, Juca teve sua OITAVA síncope (desmaio) acompanhada de parada cardiorrespiratória. Por sorte, estava na clínica conosco e pode ser salvo mais uma vez contando com a valorosa ajuda de nosso motorista, Wellington, que percebeu a crise e o levou correndo para a sala de emergência, onde uma quase dezena de veterinários-amigos o salvaram mais uma vez. 
Dizem que “os gatos têm sete vidas”. Juca já está na oitava e, pra recordar uma de suas mais espetaculares “ressuscitações”, conto aqui uma história que me marcou profundamente.

Quando pedi minha mulher, Carol, em casamento, em outubro de 2010, eu já tinha a ideia de fazer alguma surpresa envolvendo o Juca em nosso casamento. Pensava em incluí-lo na lista de convidados ou coisa parecida. 
Havia um problema para essa brincadeira poder ser posta em prática: Juca já enfrentava graves problemas cardiorrespiratórios nessa época, e tanto eu quanto ela temíamos que ele não resistisse até o “grande dia”. 
O tempo foi passando e, um dia, Carol me perguntou: “Se o Juca estiver vivo depois do casamento vamos levá-lo pra morar conosco ou deixá-lo com meus pais onde já está habituado?” 
Respondi que o levaríamos conosco, claro, mas no fundo, duvidava que o coraçãozinho dele resistisse até lá.


O tempo foi passando e Juca, sempre com sua tosse, se mantinha firme entre episódios de desmaios e crises respiratórias que, não raro, nos levavam de volta à Animália na madrugada para oxigená-lo. 
Eram noites difíceis para mim e terríveis para a Carol. 
Juca ficava muito mal. 
Língua azulada, tosse incessante, engasgos, não dormia e nós também não. 
O tempo foi passando, o casamento se aproximando, até que em abril de 2011, dois meses antes da cerimônia, a figura teve um desmaio seguido de convulsão que nos fez crer que a hora tivesse chegado. Corremos pra clínica e, uma vez mais, Juca superou tudo. 
Aquela noite, porém, foi diferente das anteriores. O quadro ficou muito feio e ele teve de ficar internado por 72 horas. Nem visitá-lo podíamos, pois se agitava de felicidade e, consequentemente, tossia tanto que quase desmaiava. 
Quando o trouxemos para casa, ainda fraquinho, ouvi a Carol dizer que “queria tanto que ele vivesse até o nosso casamento”. 
Que situação! 
Como veterinário sabia o quanto aquilo era improvável e fiquei com tanta pena dela que prometi a mim mesmo que levaria o Juca ao altar! 
Sabia que Carol ia adorar. 
Ele acompanharia a nossa sobrinha, dama de honra, e traria com ela as alianças. 
Estava decidido, desde que Juquinha resistisse até lá. 
Lembro-me de ter falado para ele: “Jucão, segura a onda que eu te levo pra festa, valeu?”
 E não é que ele entendeu?!? 
Daquele dia em diante, Juca começou a tossir menos e ficar a cada dia mais disposto. Outra coisa surpreendente foi que nosso “relacionamento” também mudou. Ele começou a me acompanhar pela casa toda, só dormia ao meu lado e até passou a fazer mais festinha pra mim do que pra Carol quando chegávamos em casa. Comecei a chamá-lo de “meu cachorro” para implicar com ela.


Uma semana antes do casamento, era chegada a hora de colocar o plano em prática sem que a noiva percebesse. 
Pra começar a roupa do pajem. Fui à Via Canina, pet shop sofisticado de nossos grandes amigos Aline e Guilherme, para procurar uma roupa condizente com a ocasião.
 Levei o Juca escondido para experimentar e encontramos uma roupa marrom que o deixou parecendo um monge, muito engraçado. Era aquela! 
A segunda parte, um belo banho, teria que ser executada no dia do casamento, e assim foi feito. Aproveitando que Carol estava entretida com seu dia-de-noiva, liguei para meu futuro sogro, Fernando, e avisei que ia buscar o Juca pro dia-de-pajem. 
Como íamos nos casar na Spazio, casa de festas ao lado da Animália, tudo ficou mais fácil. 
Busquei-o de carro e, curiosamente, parecia mais disposto do que nunca. Tive que dirigir o tempo todo com ele no meu colo olhando pela janela, acompanhando tudo. Parecia saber que seria um dia especial. 
Parei na clínica, pedi que dessem um banho caprichado nele e fui para casa colocar meu terno. Tudo certo! Plano perfeito! 
Eu ia definitivamente conquistar o coração daquela mulher. Não havia chance dela dizer não depois de uma homenagem dessas! Mal sabia eu que estava para começar um dos maiores sustos que já levei.


De banho tomado e vestido para casar, cheguei à clínica 15 minutos antes da cerimônia para colocar no Juca sua roupa de monge. Fui até a sala de onde já ouvia seus latidos pois, de alguma forma, ele pressentia minha chegada. Abri a porta e disse:
”JU-cão, meu camarada, você está lindo! Vamos colocar a roupinha?”
“- Au-Au-Au-Au-Au-Au-Au!!” – respondeu ele, balançando o rabo a ponto de rebolar.
“É, moleque!!! Eu prometi! Você segurou a onda e agora nós vamos comemorar!” – disse eu, já abrindo o canil para pegá-lo.
“Au-Au-Cofff-Au-Au-Cofff” – retrucou a peça tossindo um pouquinho.
“Calma, quietinho, não vai tossir em cima do bolo, heim?” – brinquei enquanto tentava passar a roupa por seu pescoço no mesmo momento em que chegava o pajem-humano, meu sobrinho, Nicholas.

“Au-Coffffff-Coffffff-Au-Cofffff-Coffffffff-Cofffff”.

Agora, ainda mais feliz e excitado pela chegada do menino, o Juca mais tossia que latia.
“Peraí, Juquinha… calma, quietinho… assim você vai acabar demaian…”.
Não consegui nem terminar a frase. Após um latido tão fino que mais parecia um grito, Juca caiu de lado, desmaiado e se urinando. “Meu Deus, matei o Juca!”, pensei. “Matei o Juca no dia do casamento! 
Matei o Juca no dia do casamento porque inventei essa brincadeira! 
Matei o Juca no dia do casamento porque inventei essa brincadeira e a noiva não faz a menor ideia! 
Matei o Juca no dia do casamento porque inventei essa brincadeira e a noiva não faz a menor ideia e faltam 10 minutos para o altar!” 
Todos estes pensamentos vieram à minha cabeça como uma bola de neve, um rolo compressor, em uma fração de segundos. Fui acordado do meu torpor ao ouvir a seguinte frase dita com aquela deliciosa voz de criança “Tio Renato, ele morreu?”. Era meu sobrinho, coitadinho, que assistia a tudo ao meu lado. 
Não dava mais pra pensar, eu tinha que agir! 
Agarrei o Juca contra o terno impecável e levei-o para a sala de emergências enquanto, miraculosamente, chegava também o padrinho Rodrigo Brum, cardiologista veterinário, que me ajudou a socorrer o Juca. Lembro-me de tê-lo colocado sobre a mesa completamente desfalecido, mole, lívido e ainda urinando. A partir deste momento confesso que não me lembro de nada do que foi feito naquela sala. Deve ter sido a amnésia pós-traumática de que falam. Só me lembro que após algum tempo, que não sei precisar quanto mas que me pareceu uma eternidade, aos poucos, Juca começou a balançar o rabinho, mas ainda com um olhar muito assustado. 
Um dia perguntarei ao Dr. Rodrigo o que fizemos ou, muito provavelmente, o que ele fez sozinho para trazer o Juca de volta. 
Faltavam 5 minutos para a cerimônia. Juca estava no melhor local que poderia estar num momento destes, ou seja, na sala de emergências, recebendo oxigênio e acompanhado de seu competente cardiologista. 
Eu tinha que entrar e deixa-lo ali. Pedi ao cardiopadrinho que ficasse com ele e NÃO fosse para a cerimônia, e fui!


Na casa de festas, quem via o noivo pensava que estava nervoso pela proximidade da chegada da noiva. Isso era bom. Afinal é normal ficar nervoso no seu casamento, certo? Ninguém, exceto o padrinho ausente, sabia na verdade a razão do meu nervosismo. Será que o Juca ia mesmo ficar bem? Ia melhorar? Eu devia ou não contar à noiva? Quando? Nossa! 
Já na entrada dos convidados alguém se aproximou de mim e disse baixinho “O Juca tá bem! Fica tranquilo! Rodrigo disse que, se continuar assim, vai entrar com ele no colo na hora das alianças”. Ufa, que notícia maravilhosa! 
Pude então voltar a pensar no casamento e curtir aquele momento que atingiu seu ápice, claro, na entrada da noiva: linda!!! 
Teria sido um crime fazer aquela mulher chorar naquele dia e eu já sabia, de alguma forma, que o Juca não ia deixar aquilo acontecer.


Chegou a hora das alianças e eis que entraram, lado a lado, daminhas, pajens e … seguido de um longo “Óóóóóoóóóóóóóo” de vozes sobretudo femininas, surgiu o Dr. Rodrigo trazendo no colo um Juca mais calmo que de costume e com uma carinha triste típica dos vira-latas conquistadores. 
Olhei bem para a noiva nessa hora e vi o seu sorriso mais lindo até aquele dia. Aliás, o mais lindo até hoje e que, tenho certeza, só vai ser superado para o que dará quando vir nosso filho pela primeira vez. 
Juca foi trazido sob o olhar de todos e parecia estar estranhando toda aquela gente o que o deixava tímido, quieto, até que viu a noiva e começou a abanar o rabinho com todas as forças que tinha. Ao chegar bem perto aproveitou a oportunidade para dar uma lambidinha, um beijo na boca da noiva, antes que eu mesmo o tivesse feito. 
O habilidoso fotógrafo capturou o momento exato. Juca parecia querer me lembrar e mostrar à todos que conquistou o coração da Carol antes de mim. Sem problema, somos amigos.


Passado um ano deste dia tão cheio de emoções, Juca está aqui ao meu lado enquanto escrevo. Deitado em sua amada caminha, velha e surrada. De vez em quando ele se levanta, dá uma tossidinha, muda de lado e volta a dormir. Um amigo daqueles com quem vivemos histórias para contar e relembrar para o resto da vida.



Fonte: Animália Clinica Vet e Pet Shop
JUCA – O VIRA-LATAS CASAMENTEIRO
Por: Renato Costa

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Saudade lembrada, saudade sentida, saudade hoje e para o resto da vida...saudade eterna!

Nosso pedacinho do céu...