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.ღ Saudade lembrada, saudade sentida, saudade hoje e para o resto da vida...saudade eterna! ღ

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ღ NO MOMENTO AS HOMENAGENS ESTÂO SUSPENSAS! Abraços fraternos!

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As homenagens são publicadas conforme a disponibilidade de tempo. Se ela chegar sem foto e mensagem não poderei publicar. As homenagens são publicadas conforme a ordem de chegada no e-mail.

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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

ADOCEI MINHA VIDA COM MEL


ADOCEI MINHA VIDA COM MEL
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Se algum tempo atrás alguém me dissesse que eu seria "mãe" de um cachorro, eu com certeza nem iria rir da piada, pois seria de muito mau gosto. Morando numa casa grande, ter um cachorro seria comum, mas fui criada sem me apegar a animais, já que a posição oficial de meus pais é: "Não maltrate os animais. Mas não tenha animais em casa." Quando casei, meu marido também não se animou muito em ter qualquer animalzinho, e assim fomos vivendo. Quando meu segundo filho era ainda um bebê, não sei porque, tinha um incrível e inexplicável medo de cachorro. Além de "papai" e "mamãe", uma de suas primeiras palavras foi "carrorro", dita inevitavelmente de maneira apavorada, e acompanhada de uma rápida carreira e subida no colo de quem estivesse mais acessível. Preocupados com isso, resolvemos que teríamos um cachorro, para tentar quebrar esse bloqueio de Abelzinho com "carrorros". Compramos uma cadelinha pincher miniatura, número 00, isto é, a menor que existia. Pepita era tão pequena, que seu pratinho era uma tampa de nescafé. Mas apesar de aceitar Pepita, parecia que ela não era "carrorro", e ele continuava com seu medo incondicional de qualquer outro cachorro. Os outros habitantes da casa tratavam Pepita com respeito, mas não com carinho, seguindo a lei de não maltratar, mas além de dar banho e alimentar, o máximo que eu fazia era passar meu pé nela, fazendo um carinho.
É claro que a estada de Pepita em nossa casa não durou muito. Uma amiga que se propôs ficar com ela durante nossa viagem anual de férias a Recife, para a casa de meus sogros, terminou ficando com ela para sempre, pois em sua casa Pepita tinha um lugar especial no sofá para assistir televisão, dormia no quarto e comia na mesa. Eu jamais faria isso, então não tive coragem de tirá-la de tão boa vida e trazê-la para um lugar onde ela teria cuidado, mas não amor. Algum tempo depois, com o objetivo de vigiar a casa, adquirimos um casal de fox paulistinha, Pongo e Pepita (a criatividade na escolha de nomes limitava-se ao filme "101 Dálmatas"!). Esses conseguiram um pouco de afeto, mas moravam num canil, especialmente construído para eles. Abelzinho chamava Pongo de "meu cachorro", mas não descia da cadeira ou de um tamborete se o "cachorro dele" estivesse solto. A Segunda Pepita teve 7 ninhadas de 5 cachorrinhos cada. Todos os nossos amigos que quiseram foram presenteados com lindos filhotinhos brancos de manchas pretas, que certamente em suas casas tinham mais regalias do que seus pais. Em uma época, tínhamos 6 fox paulistinhas (4 em casa e 2 na roça), e mais uma Dálmata , Prenda, e um Rotweiller, Big Doo. Todos em seus devidos lugares, com suas carteiras de vacinação em dia, banhos semanais e nada além disso. E eu me considerava uma expert em cachorros. Eu tinha 8! Sabia cuidar de filhotinhos recém-nascidos, meu marido aprendeu a cortar a cauda dos pequenos e até a dar injeções.
Mas durante o ano 2000, meus filhos tiveram aulas de artes no ateliê de uma artista, minha colega, que tinha um casal de Yorkshires, Boris e Lara. As crianças logo se apaixonaram por eles, e surpreendentemente o medo de Abelzinho não existia quando era para brincar com os cachorrinhos de tia Marlove. Mas Aline, minha filha mais velha, foi quem mais se afeiçoou ao casalzinho, tanto que conseguiu da professora a promessa de que quando Lara tivesse filhotes, conseguiria um para ela. Eu tinha um certo receio até do que isso poderia custar, pois não havia ficado claro se seria dado ou vendido. Mas o tempo passava, e nada de Lara ter filhotinhos. Até que em 18 de outubro de 2001 chegou o tão esperado presente. Antes mesmo de conhecê-la, começamos a pensar no nome, e após muitas sugestões, resolvemos que seria Mel, porque os pais eram cor de mel, e este nome certamente combinaria com ela. Fui com meu marido buscá-la, enquanto as crianças estavam na escola. Que decepção! Não era cor de mel! Parecia um filhote de Rotweiller, toda preta, com parte da cabeça amarelada em nada parecida com os pais, que tinham pelos longos e claros. Creio que nossa decepção foi evidente, pois Marlove repetiu várias vezes que ela iria mudar a pelagem, e clarear...
Desde a promessa da vinda de Mel, já havia um trato feito, de regras não negociáveis: Eu permitiria a presença de um cão "doméstico", desde que ele fosse ensinado a fazer suas necessidades em local determinado, e se fizesse fora de lugar, Aline e Abel limpariam imediatamente e sem reclamar. Ela jamais entraria no meu quarto e nem subiria nos sofás (nada pior do que uma casa com cheiro de cachorro nos sofás e camas). Iria comer apenas ração, nada de "comida de gente". Mas Mel veio mesmo para revolucionar nossas vidas. Todos os nossos conceitos sobre relacionamento com cachorros, e os limites que deviam ter foram mudados. Pra começar, eu me vi chamando: "Vem com a mamãe, Melzinha!" Continuo exigindo o cumprimento das regras, e ela não entra mesmo no meu quarto nem sobe nos sofás, ou pelo menos não fica, porque quando sobe é intimada a descer imediatamente. Infelizmente ela não aprendeu a usar o jornal como banheiro, e volta e meia alguém grita: "cocô!" ou "xixi!" indicando que acabou de pisar em um deles! Mas os responsáveis limpam sem nojo e rapidamente. Aline tem até um chavão para quando recolhe o "serviço" com papel higiênico: "peguei um quentinho, saído do forno!"
Para felicidade nossa, o medo de Abelzinho se foi completamente, e Mel o escolheu como seu preferido. Hoje nós não temos dúvida da razão: ela é viciada em chulé! Quando ele chega da escola, ela fica esperando, ansiosa, pela meia suada, que exibe como um troféu, e fica oferecendo para que tomemos, só para provar que é mais competente do que nós e não conseguimos tomar dela. O tênis dele é um travesseiro que provoca – imaginamos - viagens alucinógenas, por seu cheiro peculiar. E já descobrimos: Quando alguém chega aqui em casa e Mel fica cheirando o pé do visitante, o diagnóstico secreto para os membros da família é: Chulé! Até andando pela avenida beira-mar, às vezes passamos por algum completo desconhecido e ela muda de direção, acompanhando-o, e nós já sabemos: Chulé!Hoje sei que a escolha do nome foi mais do que apropriada. Mel adoçou o relacionamento entre meus dois filhos, hoje com 14 e 10 anos, que aprenderam que cada um tem seu espaço no coração dela e suas preferências de brincadeiras. Ela é mesmo uma doçura. Obedece ordens básicas como "senta", "deita" e "em pé", e mais do que isso, entende quando não queremos brincar, ou quando algum de nós está doente ou triste, deita-se ao lado, como que a dizer: "estou aqui, pode contar comigo". Há alguns dias precisei "guardá-la" (não podemos dizer "prendê-la", senão ela corre e é uma dificuldade conseguir pegá-la) porque tínhamos visitas que não gostavam de cachorro, e eu expliquei: "Mel, tia Cláudia não gosta de cachorrinho pulando nas pernas dela, então você vai ficar aqui quietinha. Quando ela for embora eu solto você". E sem reclamar ela ficou tranquila em seu quarto. Assim que minha amiga saiu ela latiu, pedindo por sua liberdade.
Uma de suas brincadeiras preferidas é "cabo de guerra" com uma meia suja ou com uma sandália de borracha. Ela traz a meia e fica oferecendo para que peguemos. Só que não entrega, e fica rosnando enquanto puxamos de um lado e ela do outro, e, acreditem: nós nos cansamos antes dela! Quando um cansa, ela leva para outro, até esgotar todos os presentes à sala. Trazer de volta algo que jogamos, também é algo apreciado. E ela se esforça ao extremo. Outro dia Aline jogou um de seus palitos de couro comestíveis, e ele caiu entre o sofá e a parede, ficando impossível de ser trazido de volta. Ela rodou pela casa e logo voltou... trazendo na boca um lápis, que tinha o formato semelhante ao do palito!Como uma característica da raça é o pêlo longo (que felizmente já está ficando claro), temos que escová-la pelo menos duas vezes por dia. Sinceramente, achei que não daríamos conta. A vida já é tão corrida... e gastar tempo penteando cachorro... mas inexplicavelmente Mel vive bem penteada, exibindo um "coqueirinho" no alto da cabeça com borrachinhas coloridas, lacinhos charmosos, e até teve um laço especial no Natal, vermelho com detalhes dourados. Hoje, na estréia do Brasil na Copa do Mundo, ela estava com duas borrachinhas: uma verde e outra amarela, participando da nossa torcida. Não posso negar que fiquei com pena dela, com o susto que tomou com nossos gritos na hora do primeiro gol! E talvez em represália ela mastigou a bandeira enquanto vibrávamos grudados na TV.
Eu me sinto a própria mãe coruja quando saio com ela para passear. É uma delícia responder perguntas do tipo: "Qual é a raça dela?" "Como é o nome?" "Ainda vai crescer?" E fico orgulhosa com os elogios! Tendo já trocado os dentes e acabado de passar pelo primeiro cio, já se tornou adulta, o que quer dizer que não crescerá mais. Seus 23 cm de altura e 45 cm da cabeça à cauda são uma maravilhosa fonte de alegria em nossa casa. Não ocupa muito espaço, não come muito, e a despesa que dá é mínima, tendo em vista o quanto nós lucramos com seu amor.
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Anabel Silveira Cavalcanti



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